
Na entrada da cidade, junto ao fluxo portuário, tudo se perde de vista. Silêncio. O tempo parece parar. Mas a vida na cidade contemporâena não permite. Tudo sufoca. O sol brilha forte. E o mar balança vagarosamente. Sinto-me forte, mas também frágil. Sujeito às intempéries. O cansaço me consome, mas há a necessidade de reinventar os sentidos. Sublime.
Minha arte me desestabiliza. Perco a identidade e é preciso criar outra. Re-fazer. Talvez registrar novamente. Me misturo no mundo. Quero e sinto que é necessário criar formas de saber o que é meu, o que me pertence, porque meu próprio corpo tende a se misturar com o ambiente em que estou. Eu não quero apresentar o mundo como está e criticá-lo. Isso não é necessário porque as pessoas já fazem isso o tempo inteiro.
Quero criar possibilidades, novas formas de me relacionar com o mundo como ele é, e transformar o que está ao alcance do meu corpo. Criar novas formas de se relacionar e (re) conhecer momentos sublimes. Isso é o importante. O sublime está em tudo e eu que não sou capaz de reconhecer sempre.
Quero experimentar, sentir, vivenciar e propor o prazer ligado ao corpo, ao tocar a planta, cheirar e se relacionar mais intensamente com as pessoas e com tudo que existe. O que quero com a arte é resgatar a capacidade de sentir prazer e conectar-se com si próprio. E assim conectar-se com o mundo porque existe algo em mim comum a tudo que existe.
Quero falar do que existe, mas não está aqui, ou pelo menos, que as pessoas não reconhecem. Existem muitas coisas que não vemos porque não há repertório em nós para reconhecer aquilo. Escolhemos para onde olhamos. Quero escolher certo. Olhar para o que me faz bem. E buscar as minhas conexões com o sublime.
Marcus Vinícius
Junho 2007