O silêncio é pior que o conflito¹

Propus a realização da Ação Artística de Ocupação Urbana Experimental [Dimantina], durante a residência artística no projeto ACasa, criando um instante para reflexão e introspecção diante da efervescência cultural da cidade nos dias de Festival de Inverno.

Nesta ação reflito sobre as relações dos transeuntes com o espaço, com os caminhos que seguem no cotidiano e as suas práticas na cidade. O lugar escolhido foi a Catedral de Santo Antônio da Sé, no centro histórico de Diamantina, de modo a despertar a atenção do público para o patrimônio construído, seu aspecto histórico e simbólico, suas condições usos e apropriações.

A possibilidade de pensar em conjunto com os artistas durante a residência n’ACasa foi reforçada pelo fato da própria ação artística poder ser acompanhada e debatida com qualquer pessoa que assim o desejasse.

Com esta ação a cidade é compreendida como um espaço para o diálogo permanente, dinâmico, e aberto às múltiplas participações.

Quero (re)conectar o corpo. Estar aqui, trocando informações com os outros mundos (corpos), estando de fato aqui. Comunicar-me com as pessoas e me permitir fazer o proibido não dito.

Existem muitas coisas não ditas. Calar... O silêncio é pior que o conflito. Quero falar do silêncio. O proibido não é dito, porque não é necessário seja dito. Ora se já está tão preso, colado nos corpos, não precisa ser falado. Quero questionar o proibido. Quero falar da privação a que os corpos estão dispostos. Corpos que dormem acordados.


Marcus Vinícius
Julho 2007




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¹ Texto publicado no Informativo do Projeto ACasa, ano 2 número 3 - Diamantina, Julho de 2007 - Diretório Acadêmico da Escola de Belas Artes da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais.



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